Uma mentirinha não faz mal a ninguém?

01/04/2018

As curiosidades da mitomania — a mentira compulsiva. Doença faz com que pacientes criem um mundo imaginário.

 

Crescemos ouvindo (e assistindo) as mais variadas versões do romance ‘As Aventuras de Pinóquio’ (1881), do italiano Carlo Collodi. Em todas elas, o personagem-título, um boneco de madeira que sonha em se tornar um menino de verdade, sofre com um pequeno dilema: a cada mentira que conta, seu nariz cresce. Mesmo sabendo das consequências, o protagonista não consegue se controlar e, ao longo da aventura, acaba passando por situações inusitadas e constrangedoras por conta de sua ‘compulsão’.

 

Migrando deste universo fantasioso para a nossa realidade, Pinóquio poderia ser diagnosticado com a mitomania — ou, em outras palavras, o vício por mentir. Na edição deste domingo, propositalmente 1º de abril — data conhecida popularmente como Dia da Mentira —, a PLUS resolveu discutir um tema que, muitas vezes, é associado a desvio de caráter, quando, na verdade, trata-se de uma doença psicológica.

 

De acordo com a médica psiquiatra Daniele Fernandes Holanda, há uma grande diferença entre as mentiras esporádicas e as contadas pelo mitômano (termo designado aos que sofrem da mitomania). “Todos já mentiram ou mentem em algum aspecto de suas vidas. Muitas vezes, mentiras pequenas para preservar sua intimidade e, em outras situações, mentiras maiores, pensando em algum ganho secundário.

 

(…) Mentir esporadicamente não significa adoecimento ou falha de caráter. Mentir uma vez ou outra faz parte do comportamento humano, é normal e todos nós fazemos, em maior ou menor grau”, frisou a psiquiatra. “O problema surge quando a pessoa mente com frequência e de forma incontrolável. O mitômano entra em um ciclo em que as falsas histórias acabam se tornando um estilo de vida”, completou.

 

Daniele afirma que a mitomania pode acarretar diversas consequências — e não somente a quem sofre com o mal, mas, também, à vida de seus familiares e entes próximos. “Muitas vezes, o convívio com o mitômano é difícil, em decorrência das mentiras, e as consequências se estendem para relacionamentos familiares, amorosos e de amizade. Perde-se a confiança e o paciente acaba, até mesmo, por ser afastado de todo o seu círculo social”, destacou. “Pode ser difícil diferenciar o normal do patológico e fazer o diagnóstico. O problema aparece quando a mentira é desproporcional e frequente na vida da pessoa”, acrescentou a psiquiatra.

 

A profissional ressalta a importância da família e dos amigos na hora de buscar o tratamento correto ao mitômano, porque, segundo ela, são raras as vezes que o pedido de ajuda parte do próprio paciente. “Ele (o mitômano) não costuma procurar tratamento, pois acredita em suas mentiras e não percebe qualquer anormalidade no fato de mentir. Muitas vezes, eles aparecem no consultório porque os familiares obrigaram ou porque tiveram problemas com autoridade. Outras vezes, buscam acompanhamento para tratar comodidades associadas, como é o caso do Transtorno Compulsivo Obssessivo (TOC), que é bastante comum neste tipo de paciente”, explicou.

 

A partir da consulta psiquiátrica e da adesão do mitômano ao tratamento, é definido o melhor medicamento a ser prescrito (aliado, é claro, à rotina de acompanhamentos psicoterápicos). “Trata-se de um tratamento de longo prazo e que requer o envolvimento, também, de familiares”, frisou Daniele. “Mesmo com o método adequado, o paciente pode ter recaídas. As chances de reincidências aumentam quando o tratamento é descontinuado ou feito de maneira parcial. Ao suspeitar da mentira compulsiva, o mais aconselhável é procurar um profissional da área da saúde (psiquiatra ou psicólogo) para avaliar tecnicamente o caso e  orientar o melhor recurso terapêutico”, encerrou.

 

Principais características observadas no mitômano*

 

Necessidade de atenção

Há pessoas que precisam ser o centro das atenções onde quer que estejam. A fim de manterem a sua popularidade em alta, logo começam a construir uma imagem de si através de mentiras mais leves. Essas mentiras, rapidamente, tornam-se parte de suas personalidades.

 

Contador de histórias

Os mitômanos precisam se sentir superiores aos demais e, para isso, contam histórias de sua bravura, popularidade e grandes feitos. Eles compõem grandes histórias sobre si mesmos, mas correm o risco de perderem seu encanto quando a verdade vem à tona.

 

Esconder-se

Quando um mentiroso compulsivo fica preso a sua teia de mentiras, irá inventar outra história sobre como é falsamente incriminado, excluindo-se de qualquer culpa ou responsabilidade.

 

Mesma história, personagens diferentes

Para manter sua ‘vida grandiosa’ aos olhos dos outros, os mitômanos têm de adotar o plágio como uma parte integrante do seu comportamento. Ao contar uma mentira após a outra, podem não perceber que contaram a mesma história para a mesma pessoa, mais de uma vez. Cada vez que se conta a mesma mentira, o conceito básico permanece, mudando, somente, seus personagens, local e data da ocorrência.

 

Baixa autoestima

Baixa autoestima é uma das principais razões que torna as pessoas mentirosas compulsivas. Um complexo de inferioridade impulsiona o mitômano a inventar histórias, o que o faz pensar que é mais importante e apreciado.

 

Déficit de Atenção e Hiperatividade (DDA)

Este é um caso mais comum em crianças, mas há, também, adultos com DDA que sofrem de um temperamento impulsivo e, com isso, exibem sintomas de mentirosos compulsivos.

 

Transtorno Bipolar

Pessoas que possuem o diagnóstico de transtorno bipolar sofrem com mudanças drásticas de humor que oscilam entre a depressão e grande agitação (comportamento maníaco). Durante o período maníaco, seu comportamento impulsivo abre caminho e isso, por vezes, os leva a mentir.

 

Dependências

Pessoas dependentes de drogas e jogos, frequentemente, apresentam estes sintomas. Eles podem mentir para escapar de situações difíceis, sair de problemas financeiros ou esconder a verdade sobre si da família e amigos.

 

Negação da realidade

Pessoas que são incapazes de enfrentar a verdade ou estão vivendo em negação da realidade são verdadeiros mentirosos compulsivos. Eles podem começar um jogo emocional elaborado que leva a atenção deles e dos outros para longe da realidade em que vivem.

 

* Conteúdo extraído do site El Hombre — elhombre.com.br

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