Estudo revela que músicos são propensos a ansiedade e depressão

30/10/2017

A Help Musicians UK, organização não governamental voltada a músicos, publicou recentemente um estudo sobre a saúde mental da profissão.

 

A pesquisa, que em sua primeira fase teve 2.211 artistas voluntários, mostrou que 71% já sofreram algum ataque de pânico ou altos níveis de ansiedade, enquanto 68,5% já experimentaram sintomas de depressão.

 

Os voluntários responderam a um questionário online, ainda em 2016, que revelou uma maioria de músicos trabalhando com música pop (768), rock (694), música clássica (689), alternativo (676) e, em quinto lugar, a música eletrônica (431). Diversos outros estilos, como rap/hip hop (222) e jazz (298) também foram contemplados.

 

Além de dados objetivos, foram coletadas informações sobre a dificuldade ou facilidade de procurar ajuda. O diferencial aqui, no entanto, talvez seja a compreensão dos porquês de esses músicos apresentarem tantos sintomas de depressão e ansiedade.

 

Nessa primeira fase, o estudo destaca quatro pontos: as condições muitas vezes precárias de trabalho (pouco retorno financeiro, exaustão e falta de perspectiva); falta de reconhecimento; impacto da carreira no corpo; e, no caso das mulheres, ter que lidar com machismo e até mesmo assédio sexual.

 

Ainda houve uma segunda fase, realizada neste mês de outubro, que buscou apurar como os músicos no Reino Unido se sentem em relação ao trabalho. Essa fase constituiu um estudo piloto, com apenas 26 participantes, mas com a conclusão de que:

 

– O relacionamento dos músicos com o próprio trabalho ajuda a definir como eles se enxergam enquanto pessoas;

 

– As pessoas na indústria musical precisam acreditar em si mesmas e no seu trabalho, mas a imprevisibilidade do trabalho pode fazê-las questionar a si mesmas;

 

– Músicos podem ser altamente autocríticos, e atuam em um ambiente de constante feedback;

 

– Uma carreira musical é normalmente precária e imprevisível;

 

– Muitos músicos precisam manter um emprego paralelo ou outros freelances para pagar as contas, o que gera sobrecarga e exaustão;

 

– Pode ser difícil para os músicos admitir insegurança, por causa da competitividade do mercado;

 

– Família e amigos têm um importante papel de apoio, mas por outro lado podem levar os músicos a sentimentos de culpa;

 

– O ambiente de trabalho dos músicos pode ser antissocial e hostil, com casos de abuso sexual, assédio, bullying e coerção;

 

Para tentar reverter esse quadro, a pesquisa sugere três áreas-chave: educação, um código de ética e um

serviço especial de suporte psicológico para os músicos

 

Fonte: https://www.phouse.com.br 

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