Depressão é a maior causa de incapacitação no mundo, diz OMS

04/04/2017

Os casos de depressão aumentaram quase 20% na última década, transformando-se na maior causa de incapacidade no mundo, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (30).

 

O número de pessoas com depressão chegou em 2015 a 322 milhões, 18,4% a mais que em 2005, indica a organização.

 

"Estes novos números são um sinal de alerta para que todos os países repensem sua visão da saúde mental e a tratem com a urgência que ela merece", disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan, em um comunicado.

 

Segundo a definição da OMS, a depressão é muito mais que um acesso de melancolia.

 

Trata-se de um transtorno mental no qual o afetado mostra "uma tristeza permanente e uma perda de interesse pelas atividades que as pessoas costumam desfrutar, acompanhadas da incapacidade de realizar tarefas diárias, durante duas semanas ou mais".

 

A depressão também pode provocar sentimentos de culpa ou falta de autoestima, transtornos do sono ou de apetite, sensação de cansaço e falta de concentração. Nos casos mais graves, pode levar ao suicídio.

 

A queda da produtividade e doenças vinculadas à depressão têm um alto custo global, que a OMS calcula em um trilhão de dólares por ano.

 

SheJar Saxena, diretor do departamento de saúde mental e abuso de substâncias, lembrou que tanto os tratamentos psicossociais como os médicos podem ser muito eficazes, e insistiu na importância de atender mais pessoas que precisam de ajuda.

 

Nos países mais desenvolvidos, quase metade das pessoas com depressão não foi diagnosticada nem recebe, portanto, tratamento.

 

Esse número chega a entre 80% e 90% dos casos nas nações menos desenvolvidas, segundo a organização da ONU dedicada à saúde.

 

O tratamento pode ser de difícil acesso, e o temor a ser estigmatizado impede com frequência que os afetados procurem ajuda.

 

Segundo a OMS, cada dólar investido em ampliar os tratamentos produz quatro dólares de lucro, devido à melhora da saúde e da produtividade dos trabalhadores.

 

A redução dos casos de depressão também tem um grande impacto no número de suicídios. "Uma identificação e um tratamento precoces da depressão são uma maneira muito eficaz de reduzir o número de mortes por suicídio", disse Saxena.

 

Quase 800.000 pessoas se suicidam por ano no mundo, o que equivale a um suicídio a cada quatro segundos. E a relação com a depressão é clara.

 

Saxena mencionou estudos que apontam que entre 70% e 80% das pessoas que acabam com a própria vida nos países ricos e cerca de metade das que se suicidam no países pobres sofrem com transtornos mentais, principalmente depressão.

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