Conheça a Distimia: a depressão que não parece doença

10/06/2016

Você tem uma boa relação familiar, amigos, um emprego formal e até relacionamentos amorosos. Apesar de tudo parecer normal, há pessoas que em meio a aparente felicidade, ainda sentem um "vazio", aquela sensação de que "falta alguma coisa". O diagnóstico não é fácil, mas a psiquiatria chama a atenção para uma doença pouco falada, mas que pode atingir boa parte da população - a Distimia.

 

Por não parecer com outras doenças, a Distimia pode ser facilmente confundida com traços de personalidade. Afinal, todo mundo conhece alguém que é reservado demais, ou que tem dificuldades de manter amizades ou relacionamentos, ou até mesmo que já tentou emagrecer repetidas vezes e não conseguiu, não é mesmo?

 

Essas características podem estar muito além de um simples comportamento e podem ajudar em um diagnóstico eficaz da doença crônica, que tem tratamento e cura. A distimia, segundo o Código Internacional de Doenças leva o nome de Depressão Crônica Leve e, traz um sofrimento psicológico crônico e que pode durar muitos anos porque não repercute diretamente na vida da pessoa. O distímico na adolescência começa a manifestar a doença, mas como não tem sintomas clássicos de tristeza, depressão, grau de ansiedade acentuado - aquilo vai sendo encarado como uma característica da pessoa, um traço da personalidade, a pessoa ser calada como se não conseguisse apresentar alegria. Mesmo não sendo psicólogos as pessoas tem noção de quando uma pessoa está deprimida. Tanto que os distímicos quando procuram o meu consultório, vem porque tem dificuldade de concentração para passar em concurso, dificuldade para enfrentar relacionamento, apetite, sono.E tudo pode piorar, caso não seja feito o tratamento adequado, o paciente pode agravar seu quadro e passar a ser diagnosticado com depressão grave. 

 

Características que podem ajudar a identificar um distímico:


Sentimento de vazio constante;


Baixa auto-estima;


Dificuldade extrema de fazer coisas pouco dificultosas;


Dificuldade de relacionamentos interpessoais;


Tendência de amplificar o que é ruim;


Dificuldade em terminar as coisas que começa;


Tendência a comportamentos de risco;


Irritação constante;


Melancolia constante;


Sensação de sono, ou cansaço constantes;

 

Alterações de apetite;

 

Porém, uma linha tênue separa reações provocadas por algum conflito pessoal, da doença em si, por isso a necessidade de uma visita a um psicologo, ou psiquiatra para dar início ao tratamento, que pode durar vários anos, mas se seguido a risca, pode dar quase totais garantias de cura. Quem tem distimia geralmente não procura primeiro o psicologo, porque não parece uma doença, vai procurar uma equipe de nutrição para emagrecer ou um psiquiatra porque não consegue se manter em relacionamentos amorosos ou estudam para concurso e nunca se sentem preparadas, ou tem dificuldade em relacionamentos e acreditam que podem tomar um remédio magico e pronto. 

 

É comum em meu consultório, homens e mulheres muito bonitos com sentimento de baixa auto-estima sem explicação. São pessoas superficiais no sentimento e são pessoas que não se sentem bem em relação aos demais, além do que, tem tendência de amplificar o que é ruim. O bom, ela nunca sente o máximo, mas mergulha de cabeça nos sentimentos ruins.

 

É comum que adultos com faixa etária entre 25 e 30 anos procurem um especialista para um diagnóstico mais assertivo, já que é nessa idade que a doença começa a influenciar de forma mais direta no dia-a-dia do paciente. No geral, cinco consultas podem ser necessárias para um diagnóstico.

 

Sem tristeza

Tristeza não é uma das características fortes da doença, tanto que,  ao longo do tratamento não é questionado se a pessoa se sente melhor em relação a esses sentimentos e é comum entre os pacientes duvidar que os remédios tenham provocado a melhora. 

 

A cura existe

Assim como a maioria dos casos conhecidos de depressão, a distimia tem cura e requer um tratamento medicamentoso acompanhado por um especialista. As alterações biológicas que levam à distimia são as mesmas que levam à depressão clássica mas como cada indivíduo, reage conforme a sensibilidade pessoal. Tem gente que não atinge o humor, outros só atingem a auto-estima, no cansaço, no sono, assim como não existe um paciente que tenha depressão igual ao outro.

 

Por se apresentar nos pacientes há mais de dois anos, a doença é considerada crônica, mas não incurável. Tomando o anti-depressivo, aliado a um tratamento de psicoterapia você primeiro controla e depois passa a diminuir as visitas ao psiquiatra e com o tempo começa a sentir as mudanças no estilo de vida. O ideal é evitar se deixar em situações conflituosas e fugir das drogas.

 

Drogas

Por ter tendências a se submeter a comportamentos de risco, é comum que o distímico tenha experiências com drogas, viagens arriscadas e até relações sexuais sem prevenção. Nenhuma droga mostra a cara boa no começo, mas depois não é incomum as pessoas passarem a fazer uso abusivo para se sentirem melhor.

 

Ainda que não há problemas com o tratamento da distimia simultâneo a outros tratamentos como da obesidade ou doenças crônicas como o HIV. É necessário apenas que o psiquiatra analise as substâncias que a pessoa toma e exclua os remédios que não podem ser usados por cada paciente.

 

Distimia entre nós

Apesar de pouco falada a doença atinge muitas pessoas, mas diferente da depressão clássica, é difícil apresentar um número já que, segundo o especialista, ela é subdiagnosticada. É difícil tanto pro paciente quanto pro psicólogo. As pessoas demoram anos e anos para ir e chegam ao consultório ao acaso. Não há como dizer a epidemiologia real mas com certeza acho que é uma doença que prevalece mais que a depressão clássica.

 

Para concluir, explico que é  diferente do que se comenta, não é a sociedade atual que produz um número maior de pacientes depressivos. O que aumentou foi o esclarecimento e as possibilidades de tratamento. A dica para as pessoas que se identificam com as sensações descritas na matéria oriento: Se você mora em um lar legal, sua família é tranquila e mesmo assim você apresenta dificuldades, é bom procurar um psicólogo para ter uma avaliação correta e um acompanhamento. Com a terapia, a vida melhora e com os remédios você pode conseguir a cura.

 

 

 

 

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