Perturbação Bipolar

07/03/2016

O que é, quem a tem, o que provoca?

 

Para muitos, a expressão “bipolaridade”, ou “perturbação bipolar” será pouco familiar. Se falarmos em perturbação maníaco-depressiva, a sua designação menos actual, muitos mais a conhecerão. Seja através de filmes, séries, livros ou contacto pessoal, a perturbação bipolar é figura frequente no nosso imaginário colectivo ou mesmo experiência de vida. Nesse contexto, pode dizer-se que figura no elenco de “bichos-papões” associados à saúde mental.

 

Muitas vezes, é vista como uma condição que condena quem dela sofre a um estado de quase-loucura equiparável apenas ao da esquizofrenia, que não tem tratamento e será uma eterna incapacidade, caracterizado por uma montanha-russa emocional – ora num estado de euforia quase imparável e insuportável para quem com ela lida, ora na mais profunda melancolia e depressão. Aparece associada ao olhar esgazeado de um pico positivo (episódio maníaco) capaz da maior generosidade, mas também de imprudência e até violência, assim como ao rápido declínio para o pico negativo, uma depressão tão profunda que frequentemente conduz ao suicídio. Ainda assim, não são poucas as descrições de grandes artistas e cientistas que eram bipolares, e cujos picos positivos lhes deram o “empurrão” para a fama e a glória. Na verdade, a perturbação bipolar não será tão monstruosa quanto as suas caracterizações mais pessimistas a pintarão, nem tão romântica e inócua quanto nos pode fazer crer a obra deixada por grandes homens e mulheres que dela padeceram.

 

Independentemente da avaliação de gravidade que se possa fazer dela, a perturbação bipolar tem consequências bem reais na vida de quem dela sofre. As relações com os outros podem tornar-se um pesadelo. As oscilações de humor conduzem ora a conflitos, ora a retracção, causando frequentemente que as pessoas queridas se afastem por não compreenderem o que se passa com a pessoa e não conseguirem lidar com isso. Torna-se, também, difícil manter um emprego. Quando existe um pico, seja positivo seja negativo, a produtividade no local de trabalho sofre variações muito grandes, e a capacidade de tomar decisões fica grandemente afectada. No seio da família, é frequente a confusão e o medo. A alegria inesperada tem potencial para gerar surpresa, bem como conflitos e decisões repentinas com consequências graves, assim como os picos negativos afastam os membros da família e lançam nuvens sobre o ambiente familiar, sendo que a alternância entre estes dois pólos pode ser uma combinação explosiva. E se os picos positivos podem levar a gastos irresponsáveis, comportamentos sexuais de risco e situações de perigo para o próprio (pela ausência do medo), os picos negativos podem conduzir a estados depressivos profundos que, no limite, conduzem a tentativas de suicídio. A taxa de suicídio entre pessoas com perturbação bipolar, de acordo com as informações mais recentes, situa-se entre os 10 e os 15%.

 

Por todas estas consequências, a perturbação bipolar tem vindo a ser alvo de cada vez mais atenção.

 

De fato, a perturbação bipolar é uma das perturbações mentais mais atuais da discussão científica, e tem sofrido grandes avanços na forma como se define. É de uma complexidade extrema, sendo um dos mais difíceis diagnósticos em saúde mental. Embora haja manifestações muito fortes e evidentes da perturbação, são muito frequentes manifestações mais moderadas que podem passar despercebidas. O que a distingue, acima de tudo, é a presença de sintomas “maníacos”. Sendo a mania uma palavra familiar, falamos aqui de algo muito diferente da “mania das limpezas”, da “mania de dizer mal” ou da “mania de embirrar”. Falamos de sintomas como uma disposição anormalmente expansiva, positiva ou irritável, da redução de necessidade de dormir, de um aumento desmedido e repentino da auto-estima, que frequentemente roça a grandiosidade, de picos de intolerância à crítica à frustração, de períodos de produtividade excessiva e inesperada, de um discurso “saltitante”, acelerado e pouco coerente, de distractibilidade aumentada, ou mesmo de comportamentos de risco como gastos excessivos, picos de promiscuidade sexual, ou a ausência de percepção de perigo.

 

Durante um pico maníaco, sentimo-nos os reis do mundo, como se nada nos pudesse tocar. Durante um pico positivo, nem todos estes sintomas estarão presentes. Nem todos eles estarão facilmente evidentes, e igualmente intensos. Aquilo que sabemos é que estes se agrupam nesta perturbação, e é muito frequente alternarem com estados depressivos (ver secção “Depressão”) e com momentos de normalidade, em que tudo está como esteve antes de surgir a perturbação. Estes momentos podem variar na sua duração e no tempo que decorre entre cada um deles. E este é um dos aspectos que torna difícil o diagnóstico. Apesar desta dificuldade, a maioria dos estudos tem vindo a estimar que cerca de 1% da população mundial possa sofrer desta perturbação. A idade habitual de aparecimento da perturbação bipolar situa-se na casa dos 20 anos, início dos 30. No entanto, estudos recentes têm vindo a apontar um número crescente de casos na adolescência.

 

Existem dois tipos de perturbação bipolar:

 

Bipolar I – diagnosticada quando a pessoa teve, pelo menos, um episódio maníaco ou misto, normalmente com um episódio de depressão major. Afecta uma proporção idêntica de homens e mulheres, aproximadamente 0.4 a 1.6% da população.

 

Bipolar II – diagnosticada quanto a pessoa teve um episódio de depressão major com, pelo menos, um episódio hipomaníaco. Afecta maior número de mulheres do que homens, em cerca de 0.5% da população.

 

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